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PROPAGANDA DE O BOTICÁRIO COM FAMÍLIA NEGRA FAZ A CASA GRANDE SURTAR DE ÓDIO; CONFIRA

Publicado em: 2018-07-30

A nova propaganda de O Boticário repercute. Criada pela AlmapBBDO, causa repercussão por ser protagonizada por uma família negra. Por isso, causou frisson e o ódio e o racismo afloraram nas redes sociais.

Incomodada, a internauta Dilma Sena escreveu: “Pouco criativa e racista. Vamos misturar essa família aí”. Já a pessoa que assina como Lonely Wolf é mais contundente. “Me tire uma dúvida O Boticário só fabrica perfumes pra afros?”, pergunta. “Acho que estou usando a marca errada. Uma vez que o público alvo da empresa são os afros, a partir de agora vou usar os importados”.

“A presença de negros na publicidade brasileira é ínfima. Aí quando surge uma única propaganda com uma família negra a gritaria é geral, porque a casa grande surta”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB.

“O Boticário decidiu fazer uma campanha de Dia dos Pais com uma família negra, o vídeo recebeu cerca de 11 mil dislikes (até agora), e comentários reclamando da falta de ‘diversidade’. E ainda há quem diga que racismo não existe e é coisa da nossa cabeça”, escreve em seu Twitter, Alexandre (@Iexandre).

Gabriela Magalhães também tuita que “a branquitude não está preparada para não ser o centro da atenção. Basta uma campanha com uma família negra, para os brancos discriminados (KAKAKAKAK até na ironia é engraçado) falarem da tal DIVERSIDADE. Então, quando não aparecia nenhum negro na mídia e as propagandas eram TODAS compostas por GENTE BRANCA, vocês oprimidos que sofrem racismo reverso (KAKAKAKA) não cobraram diversidade, né? HIPÓCRITAS”.

“Apesar de a população negra ser mais de 54% da população, como mostra o IBGE, ainda somos inviabilizados pela publicidade, numa das mais incisivas representações do racismo tupiniquim”, afirma Mônica.

Para Alexandra Loras, ex-consulesa da França em São Paulo, “o Brasil é o país mais racista do mundo”. A cetebista concorda com ela e cita a reação contundente contra a única propaganda já feita com uma família negra no Brasil.

“A ausência de negras e negros na publicidade e na programação televisiva é uma estratégia para esconder a herança africana na formação da nação brasileira”, acentua Mônica. “Essa reação visceral joga por terra o decantado mito da democracia racial”.

Para a sindicalista, “a sociedade não enxerga a população negra fora dos lugares determinados por ela. Quando aparecem negras e negros nos espaços que não nos querem, a população branca se sente ameaçada e reage dessa forma”. Ela lembra ainda que há pouco tempo a União de Negras e Negros pela Igualdade questionou a TV Globo por não conter atrizes e atores negros em novela que se passa em Salvador, a cidade com maior população negra do país.

Por isso, “é tarefa primordial do movimento sindical, dos partidos políticos progressistas e dos movimentos sociais é combater o racismo de todas as formas para construirmos uma civilização sem preconceitos”, conclui.

Fonte: Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB