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CORSA SEDAN: O PEQUENO SEDAN QUE DUROU 21 ANOS

Publicado em: 2018-06-26

Sua missão não era das mais fáceis: substituir o Chevette, que teve mais de 1 milhão de unidades produzidas ao longo de seus 20 anos de história por aqui. Logo de cara, porém, deu pra perceber que o Corsa (um produto mais moderno) daria conta do recado.

Veja quais foram os motivos por trás disso, e como se comportou no mercado brasileiro o sedan que ficaria por mais de 21 anos sendo produzido.

O Corsa Sedan era aguardado com muita expectativa no Brasil. Quando a família Corsa chegou, seu visual moderno para a época rapidamente o tornou objeto de desejo para muitos dos brasileiros.

Isso ficou evidente na rapidez com que a Chevrolet lançava novas versões (em média, uma a cada três meses). E uma das mais aguardadas era exatamente a versão sedan, que traria de volta uma opção com bom espaço no porta-malas, algo que o hatch claramente não tinha. Os engenheiros da marca trabalharam rápido, e em 1995 o Corsa Sedan foi lançado no Brasil.

Assim que chegou, o modelo foi muito bem aceito pelo mercado. Seu visual harmonioso, que incluía uma traseira pensada pela Chevrolet do Brasil, e o bom espaço interno oferecido eram alguns dos seus principais pontos positivos. E quando pensamos que ele foi o sucessor do Chevette, vemos que o avanço foi enorme, em todos os aspectos.

O porta-malas também entregava um bom espaço, com seus 390 litros (e os bancos ainda podiam ser rebatidos, algo raro na época). Aliás, olhando a lateral do Corsa Sedan vemos um acerto da Chevrolet, que aproveitou a posição recuada das rodas traseiras do modelo hatch e manteve o mesmo entre-eixos no sedan. No final, o três-volumes era apenas 30 cm maior.

A diferença na carroceria fez surgir a coluna C, que marcava a suave queda do vidro traseiro e trazia uma nova terceira janela lateral. Com o mesmo visual arredondado do Corsa hatch, o sedan tinha um estilo harmonioso, como se fosse um carro pensado do zero.

De início, o Corsa Sedan chegou em duas versões, GL e GLS. A mais requintada oferecia faróis de neblina, travas e vidros elétricos e pneus 185/60 R14, com o opcional dos freios ABS, ar-condicionado e direção assistida (esse último também disponível para a versão de entrada). O modelo sempre vinha com os para-choques na cor da carroceria.

O motor usado, nas duas versões, era o 1.6 de oito válvulas. Esse propulsor era mais moderno do que o usado na versão picape do Corsa, pois tinha a nova injeção multiponto (MPFI). O resultado ficava claro quando se dirigia o Corsa Sedan: 92 cv e 13 kgfm de torque (disponíveis logo aos 2.800 giros).

Sua condução era, ao mesmo tempo, agradável para o dia a dia e vigorosa quando necessário. O conjunto, que ainda contava com uma transmissão manual de cinco marchas, levava o sedan de 0 a 100 km/h em 11 segundos, chegando a uma velocidade máxima de 182 km/h.

Com as boas vendas do Corsa Sedan, a Chevrolet continuou investindo em novidades que mantivessem o três volumes num bom patamar em relação à concorrência.

Uma das primeiras foi a adição, em agosto de 1997, da transmissão automática Aisin de quatro marchas à linha. Essa opção estava presente na versão GL, tornando-o um dos modelos automáticos mais acessíveis do mercado.

Mas o rumo era mesmo em direção aos motores 1.0, e a Chevrolet não demorou para apresentar essa opção na linha do Corsa Sedan. Em março de 1998 ele foi lançado na versão Wind, mas entregando acanhados 60 cv. Houve alguma reclamação em relação ao desempenho, especialmente quando carregado com cinco ocupantes e bagagem, mas nada que atrapalhasse suas vendas.

Apesar da pouca potência, o Corsa Sedan 1.0 era oferecido com um preço muito interessante (bem abaixo do modelo 1.6), o que obviamente contribuiu para seu sucesso. Além disso, logo a Chevrolet “resolveu” o problema das arrancadas lentas por encurtar a primeira marcha.

Empurrado pela concorrência (especialmente a VW, que lançou Gol e Parati com motor 1.0 mais potente), logo o Corsa Sedan foi apresentado na versão 1.0 16V, em abril de 1999. O propulsor equipava a versão Super e tinha injeção sequencial e sensor de detonação, entregando 68 cv e 9,2 kgfm de torque.

Outras novidades apresentadas na mesma época incluíam a opção de airbag para o motorista e um novo volante de três raios, que passaria a equipar toda a linha do Corsa. Na parte mecânica, todas as versões também passariam a contar com mudanças na calibragem da suspensão e nova antena incorporada ao para-brisa.

Na virada do milênio, o Corsa Sedan passou a contar também com um motor 1.0 a álcool, que rendia 64 cv. Já em setembro vieram algumas mudanças visuais, incluindo novos para-choques, lanternas redesenhadas e faróis com lente de bicarbonato. No final do mesmo ano a Chevrolet decidiu aposentar a versão GL, passando a oferecer seu motor 1.6 8V com a versão Super.

Com isso, apenas o Corsa Sedan continuaria sendo vendido na versão GLS 16V, mas por pouco tempo. Logo a linha perderia todas as opções 16V (tanto do 1.0 como do 1.6), já que a nova geração do Corsa estava por vir.

Todas essas novidades, porém, ficaram em segundo plano logo depois. A Chevrolet anunciava um enorme recall para todos os Corsas (incluindo todas as versões, carrocerias e motorizações), abrangendo mais de 1,3 milhão de unidades. O motivo era preocupante: havia um problema nos cintos de segurança, com o risco de eles se soltarem em caso de colisão. Com o chamado, as unidades envolvidas receberiam um reforço na sua ancoragem, o que resolveria o problema.

O novo Corsa já circulava na Europa há algum tempo, pelas mãos da Opel, mas nada do renovado modelo chegar por aqui. Foi apenas dois anos depois, em março de 2002, que a nova geração finalmente foi lançada no Brasil. Seus preços na época variavam entre R$ 20.995 (1.0 sedan) e R$ 30.600 (1.8 sedan).

Diferente da geração anterior, o novo Corsa foi apresentado logo de cara em duas versões de carroceria, o que incluía a opção sedan (novamente, exclusiva para o Brasil). O que não mudou foi a recepção dos brasileiros ao seu visual, que agradou tanto quanto o Corsa anterior.

Seu design estava em conformidade com os últimos lançamentos da marca na Europa, com exceção da dianteira, que foi desenhada por aqui (e adotada em outros países depois). No geral, suas linhas estavam menos arredondadas e mais agressivas, com vincos bem pronunciados. Isso também ajudou a melhorar seu coeficiente aerodinâmico, que passou para 0,30 Cx.

Corsa Sedan: o pequeno sedan que durou 21 anos

A lateral do novo Corsa Sedan apresentava uma linha de cintura mais alta, e o entre-eixos ficou 5 cm maior (com 2,49 metros). A traseira lembrava bastante o novo Vectra europeu, tendo lanternas maiores e a placa posicionada no para-choque.

O interior do novo Corsa Sedan também apresentava muitas melhorias. Apesar de vários componentes conhecidos, por estarem em outros modelos da marca, os ocupantes tinham novos controles dos vidros elétricos, travamento automático das portas, destravamento à distância (e em dois estágios) e até teto solar elétrico, algo inédito na linha (no modelo GSi o sistema era manual).

A diferença entre as versões 1.0 e 1.8, no interior, estavam no painel de instrumentos (com fundo branco na versão mais potente) e no painel central (que recebia aplique em prata no 1.8). A posição de dirigir ficava melhor, já que o novo modelo não tinha a caixa de roda afetando a posição da perna esquerda do motorista.

Corsa Sedan: o pequeno sedan que durou 21 anos

O espaço interno do Corsa Sedan também melhorava, tanto para os ocupantes quanto para as bagagens. No banco traseiro, que ainda tinha uma largura apenas razoável para três ocupantes, o espaço para as pernas ficava mais generoso. O porta-malas também aumentou, passando de 390 para 432 litros.

A linha de motores do novo Corsa (para as duas versões, hatch e sedan) tinha duas opções. A primeira era o já conhecido propulsor 1.0 8V, que ficava mais potente, entregando 71 cv e 8,8 kgfm de torque. A outra era o motor 1.8 de 102 cv e 16,8 kgfm. Ambas eram equipadas com uma transmissão manual de cinco marchas.

Um detalhe curioso no lançamento do novo Corsa foi a apresentação do sistema Autoclutch, que consistia num câmbio manual que dispensava o uso da embreagem. Esse componente era opcional (por R$ 1.400 na época) para a versão 1.0 em 2002, mas logo saiu de linha.

E o Corsa antigo?
Corsa Sedan: o pequeno sedan que durou 21 anos

Muitos esperavam que a chegada da nova geração do Corsa Sedan tirasse de linha a anterior, mas parece que a GM não compartilhava dessa ideia.

O sucesso do modelo inicial, e a possibilidade de ter uma opção mais acessível em sua linha, fizeram a marca optar pela continuidade do primeiro Corsa Sedan. A única mudança viria em seu nome: primeiro Corsa Classic, e depois apenas Classic. O modelo continuou sendo vendido com os motores 1.0 VHC e 1.6, tendo ainda (até 2006) a opção da transmissão automática para o motor maior.

Tudo continuou igual até 2010, quando o Classic recebeu uma atualização no seu design. Essa reestilização trazia novo visual para a dianteira e traseira, baseada no modelo Sail, que saía de linha na China.

Fim da linha
Corsa Sedan: o pequeno sedan que durou 21 anos

Em setembro de 2016, depois de 21 anos no mercado, o Corsa Sedan (agora chamado de Classic) saía de linha. Foram cerca de 1,5 milhão de unidades vendidas, o que comprovou seu sucesso e estabeleceu um novo recorde entre os três volumes no Brasil.

Depois disso, o Classic ainda continuou sendo fabricado na Argentina. No Brasil, o novo sedan de entrada da marca seria o Prisma Joy, que mantinha o visual antigo para ter um preço competitivo. Mesmo assim, a diferença entre ele e o Classic era grande na época: R$ 32.670 contra R$ 42.990.

Corsa Sedan – versões
Chevrolet Corsa Sedan GL (1995-2001)
Chevrolet Corsa Sedan GLS (1996-2001)
Chevrolet Corsa Sedan Wind (1999-2005)
Chevrolet Corsa Sedan Super (1998-2002)
Chevrolet Corsa Sedan Classic Spirit (2005-2009)


Chevrolet Corsa Sedan Joy (2005-2007)
Chevrolet Corsa Sedan Maxx (2004-2011)
Chevrolet Corsa Sedan Premium (2005-2012)


Chevrolet Classic Life (2010-2016)
Corsa Sedan – preço
Chevrolet Corsa Sedan GL – entre R$ 8.920 (1995) e R$ 12.835 (2001)
Chevrolet Corsa Sedan GLS – entre R$ 9.627 (1996) e R$ 13.131 (2001)
Chevrolet Corsa Sedan Wind – entre R$ 10.014 (1999) e R$ 13.699 (2005)
Chevrolet Corsa Sedan Super – entre R$ 9.650 (1998) e R$ 12.257 (2002)
Chevrolet Corsa Sedan Classic Spirit – entre R$ 13.912 (2005) e R$ 17.368 (2009)


Chevrolet Corsa Sedan Joy – entre R$ 14.267 (2005) e R$ 16.290 (2007)
Chevrolet Corsa Sedan Maxx – entre R$ 13.330 (2004) e R$ 22.194 (2011)
Chevrolet Corsa Sedan Premium – entre R$ 15.665 (2005) e R$ 23.023 (2012)


Chevrolet Classic Life – entre R$ 18.629 (2010) e R$ 29.216 (2016)
(Valores em junho de 2018, com base na tabela FIPE)

Corsa Sedan – motor, câmbio e desempenho
Corsa Sedan: o pequeno sedan que durou 21 anos

A linha de motores do Corsa Sedan tinha, inicialmente, o bom motor 1.6 de 92 cv e 13 kgfm de torque, que trazia um aumento de potência em relação ao mesmo propulsor usado na versão picape. Com ele, o modelo tinha uma velocidade máxima de 182 km/h e chegava aos 100 km/h em 11 segundos.

Depois apareceu a versão 1.6 16V, que entregava 102 cv e 14,8 kgfm de torque. Seu desempenho era melhor, com aceleração de 0 a 100 km/h em 10,6 segundos e máxima de 185 km/h.

A moda dos 1.0 fez com que o Corsa Sedan também entrasse para o mundo dos populares, adotando esse motor. Ele tinha 60 cv em sua primeira versão, subindo para 68 cv com a chegada do Super 16V. O tempo necessário para alcançar os 100 km/h era desanimador: 17,6 segundos.

A nova geração do Corsa também trouxe atualizações mecânicas. Agora, o três volumes contava com um propulsor 1.0 de 71 cv e 8,8 kgfm de torque. Isso foi alcançado graças aos pistões e anéis de menor atrito, além da elevada taxa de compressão (12,6:1).

O desempenho anunciado na época para o Corsa Sedan 1.0 era apenas razoável (apesar de estar próximo dos números vistos no Celta), com aceleração até os 100 km/h em 15,5 segundos e máxima de 157 km/h.

O outro motor disponível na nova geração do Corsa tinha 1,8 litro e 102 cv, e era baseado no antigo 1.6 usado pela família. Com curso longo, o torque era privilegiado, ficando na casa dos 16,8 kgfm (logo aos 2.800 rpm). Isso também permitia alcançar a velocidade máxima de 179 km/h em quarta marcha. O tempo para sair da imobilidade e chegar nos 100 km/h era de 10,9 segundos.

Corsa Sedan – consumo
Inicialmente equipado apenas com motor 1.6, o Corsa Sedan apresentava um consumo médio de 11,8 km/l, abastecido com gasolina.

Com os motores atualizados apresentados junto com a nova geração, o consumo melhorou um pouco, mas ainda ficava abaixo do esperado. O modelo 1.0, de 71 cv, tinha médias de 12,3 km/l na cidade e 16,6 km/l na estrada. Já o 1.8 fazia 11 km/l em trechos urbanos e 16,5 km/l nos trechos rodoviários (números não muito longe dos obtidos com o motor menor).

Corsa Sedan – manutenção e revisão
O Corsa Sedan não tinha muitas reclamações em relação à sua manutenção. Os custos de peças e serviços eram relativamente baratos, e podiam ser facilmente encontrados. Por outro lado, as revisões nas concessionárias eram um pouco mais salgadas.

Usando como base um dos últimos modelos fabricados da nova geração do Corsa Sedan (ano 2012, motor 1.4), temos os seguintes custos (valor total até os 60.000 km chega a R$ 3.448):

10.000 km – R$ 176
20.000 km – R$ 500
30.000 km – R$ 652
40.000 km – R$ 400
50.000 km – R$ 892
60.000 km – R$ 828
Já o Classic, que seguiu sendo vendido até 2016, tem custos de revisão um pouco mais baratos, que totalizam (até os 60.000 km) cerca de R$ 3.408:

10.000 km – R$ 204
20.000 km – R$ 564
30.000 km – R$ 548
40.000 km – R$ 484
50.000 km – R$ 960
60.000 km – R$ 648

LINK DA MATÉRIA COMPLETA - https://www.noticiasautomotivas.com.br/corsa-sedan/

Fonte: www.noticiasautomotivas.com.br